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  1. Nossos próximos livros serão encaminhados à gráfica esta semana. Já estamos nos articulando para os próximos trabalhos, em particular a novela japonesa Kappa, que deverá ganhar edição bilíngue. Um dos nossos objetivos é diminuir a “janela” entre um lançamento e outro.
  2. Este blogue também, como os frequentadores mais habituais devem ter notado, está passando por reformulações. Nossa  meta aqui é permitir a compra eletrônica dos nossos livros.

Estamos fazendo mudanças no nosso site. Em breve usaremos um endereço .com.br

Acabamos de receber esta ótima notícia: as fichas catalográficas e o ISBN dos livros que sairão já estão prontos – é a reta final. Os livros que sairão neste “pacote” do primeiro semestre de 2010:

  • A Sonata dos Espectros – obra-prima do dramaturgo sueco Strindberg.
  • O Quarto da Claraboia – contos de O’Henry, prolífico e divertido autor norte-americano.
  • A Antibruma – novela deste que vos escreve (Nils Skare) sobre os descaminhos da memória.
  • A Tragédia da Espanha – análise penetrante dos eventos da revolução espanhola feitos por ninguém menos que Rudolf Rocker.
  • No Café – diálogos sobre anarquismo no melhor estilo socrático pelo incontornável Malatesta

É isso aí. Em breve mais novidades. E outros projetos já estão em andamento.

Os cinco novos títulos da L-Dopa Publicações estão ganhando ficha catalográfica e ISBN, últimos preparativos antes de ganharem as ruas

Uma das linhas na L-Dopa é a publicação de autobiografias, gênero que julgamos especialmente valioso, a ponto de iniciarmos nossas publicações por uma. Um dia desses me deparei com um comentário de Schopenhauer a respeito da importância desse tipo de texto, e o transcrevo aqui para a reflexão do leitor deste blogue.

“Muitas vezes se disse que as autobiografias são pura mentira e dissimulação, mero compêndio de vaidade. Isso é errado. A mentira, de fato, é possível em toda parte, mas talvez em nenhum outro lugar é mais difícil do que na autobiografia. A dissimulação é mais fácil na conversação. Isso parece paradoxal, mas já numa carta é, no fundo, mais difícil dissimular, pois aí quem escreve, abandonado a si mesmo, vê antes o que se passa em seu interior, não no exterior. É difícil para alguém assim aproximar o que está distante e alheio, vendo-o de forma correta. Com isso, ao contrário da conversação, perde-se a medida da impressão que se provocaria em outrem. O destinatário de uma carta, por outro lado, a lê de maneira serena e numa disposição que o remetente não conhece nem partilha; ele lê a carta repetidas vezes, em diferentes ocasiões, com o que pode facilmente desmascarar a intenção secreta. Devido a essa característica da coisa, conhece-se melhor e mais facilmente um autor, também como homem, a partir de seu livro, pois aquelas condições fazem efeito na escritura de um livro de modo ainda mais vigoroso e constante. Por esse motivo, é tão difícil a dissimulação num livro cuja matéria é o próprio escritor – portanto numa autobiografia – que talvez não haja uma única autobiografia na qual, em geral, não exista mais verdade que em qualquer história já escrita.” (Schopenhauer – Metafísica do Belo)

É com pesar que informamos aos leitores deste blogue do falecimento de Howard Zinn, historiador e ativista norte-americano, aos 87 anos de idade. Ele sofreu um infarto e deixa dois filhos e cinco netos.

Zinn – responsável por “uma contribuição incrível para a cultura intelectual e moral americana” nas palavras de Noam Chomsky – é o autor de diversos livros influentes, dentre os quais destacamos A People’s History of the United States, com o qual deu origem a uma guinada pela história radical nos Estados Unidos. Por história radical entenda-se uma perspectiva engajada, longe de “neutralidades” tão postuladas por certas correntes, buscando iluminar as lutas sociais em seus contextos, numa participação verdadeiramente ativa.

Aqui no Brasil, nós da L-Dopa tivemos a oportunidade de editar sua autobiografia, Você não pode ser neutro num trem em movimento (2005). Ficamos igualmente felizes  com as respostas de inúmeras pessoas que encontraram no livro mais do que um simples estímulo intelectual, mas uma experiência de integridade de um historiador engajado e um homem devotado à transformação da realidade social. Irremediavelmente otimista, como ele mesmo se descrevia, esperamos guardar de Howard Zinn a paciência e a tenacidade que o relato de sua vida nos revela possível. Como indivíduos e como editora expressamos nosso débito a Zinn e estendemos nossos pêsames a todos os familiares, amigos e admiradores do autor.

“O que nós enfatizamos nesta história complexa irá determinar nossas vidas. Se nós só vemos o pior, isto destrói nossa capacidade para fazer algo. Se nós nos lembrarmos das épocas e lugares – e existem tantos – onde as pessoas agiram de maneira magnífica, isto nos dá energia para agir, e ao menos a possibilidade de mandar o mundo numa direção diferente. E se agimos, de qualquer maneira – ainda que pequena -, não precisamos esperar por algum grande futuro utópico. O futuro é uma infinita sucessão de presentes, e viver agora como nós acreditamos que seres humanos devem viver, desafiando tudo que de mal existe ao nosso redor, é em si uma maravilhosa vitória.” (Howard Zinn – Você não pode ser neutro num trem em movimento)