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Já faz algum tempo que não comento alguns livros lidos por aqui, então estas são algumas resenhas mínimas sobre três dentre os últimos que li.

  • Paul Auster – A Trilogia de Nova York

O gênero de detetive é revisto aqui à luz de uma lógica à la Lewis Carrol. Sim, essa me parece uma formulação bastante sintética para descrever o livro de Auster, mas o autor de Alice no País das Maravilhas ainda é “infantil” demais para dar conta das torções narrativas que o autor destas três novelas imprime ao desenrolar das histórias. Não há nada de propriamente surrealista. Ao contrário, há antes uma outra lógica em funcionamento que prisma o que seriam mistérios de detetive em considerações mais profundas. Como tudo isso fica em aberto, pode-se interpretar a gosto e a “metafísica”, como toda boa metafísica, fica por conta do freguês.

  • William Faulkner – Enquanto Desfaleço

 

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Faulkner

Se você gosta de Steinbeck, irá adorar Faulkner. A morte da matriarca de uma família pobre sulista desencadeia uma longa e dolorosa viagem para enterrá-la. A técnica narrativa empenhada – que consiste em ter cada capítulo descrito por parte de um personagem diferente – acentua o caráter propriamente dramático. Mas o que impacta são as imagens, mais do que propriamente os personagens.  De um jeito ou de outro é difícil saber se a força do relato consiste na história de humilhação e sofrimento ou se na técnica bastante ousada da narrativa. Enfim, nas grandes obras forma e conteúdo não se dissociam, e Faulkner alcança uma unidade bastante difícil.

  • Eduardo Galeano – Dias e Noites de Amor e de Guerra

Eu conhecia Galeano do famoso Veias Abertas da América Latina, que me causou bastante impacto à época. Este Dias e Noites… trabalha a partir da lógica do fragmento com o político e o pessoal, o histórico e o ficcional, amalgamando essas categorias de modo a criar um mosaico de seu tempo. Minha opinião é que é a historiografia radical de Galeano que permite que sua obra detenha força e “poder germinativo”. Ele escreve sobre sua experiência e articula-a a outras (não falávamos do narrador num post passado?) .  O resultado é a história viva, e os efeitos de sua escrita são todos decorrência dessa preciosidade.

 

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