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jornal-nacional-1Um jornal verdadeiramente honesto deveria poder se desobrigar de inventar noticiário todo dia. O leitor acordaria um belo dia e receberia um bilhete com algo do tipo: “Prezado sr(a). Hoje não haverá jornal por falta de notícias. Nada aconteceu hoje.” Seria um pouco reconfortante, e talvez até mesmo estimulasse a comunicação por parte das próprias pessoas, que se sentiriam à vontade para comentar de suas histórias individuais tornadas tão relevantes quanto o aumento da inflação na Birmânia ou uma pesquisa de opinião sobre o uso de fio dental.

Digo isso para amarrar um pouco o argumento com o post de semana passada em que toquei de leve num ensaio do Walter Benjamin sobre o Narrador. A informação, isto é, o fragmento dominando a experiência, está bem longe do ato de contar histórias, o terreno propício ao conselho, à sabedoria. O narrador é esse sujeito capaz de propôr como continuar uma história…

Assim, pergunto-me se o amável leitor e a civil leitora deste blog vêm aqui para obter informações sobre a editora (coisa que é certa e razoável) ou se têm como propósito acompanhar alguma história (o que tampouco é de estranhar). Informações? Se o leitor batesse à porta e cá me perguntasse a quantas anda a editora, diria algo talvez: “Tudo tranquilo. A tradução da Emma Goldman segue, assim como a diagramação dos cinco lançamentos deste ano; também estamos esquentando o lançamento desses tais livros.” E seria isso.

Mas pelo (pouco) que entendo dessa mídia que é o blog, sei que o leitor há de querer entrar com uma certa regularidade, e encontrar algum lenitivo para o tédio ou estímulo para a curiosidade, talvez algo assim tranquilizador como o bilhete do primeiro parágrafo, consolo de que de fato não há nada de novo sob o sol. Contudo mesmo um céu de brigadeiro não impede que as pessoas comentem sobre uma possível chuva, e igualmente o ofício razoavelmente demorado de fazer livros não impede de se ter alguma nova para contar.

A tradução da autobiografia da Emma Goldman vai entrar agora em seu quarto mês. Foi um mês bastante picotado no primeiro semestre e depois retomei em setembro. O Kappa, que os leitores puderam acompanhar pelo site, já está pronto e só carece de um artigo para acompanhar sob a forma de posfácio. Ao que tudo indica o E. E. Cummings deve se concretizar ano que vem também, estamos apenas cuidando da parte de direitos autorais. E o título que, ao que parece, vai se seguir logo à Emma vai ser a “Antologia do Comunismo de Conselho”. Minha proposta é que o Klaus seja o organizador e eu fique com a parte de tradução. Além disso temos um bom título de Herman Melville (o sujeito que escreveu Moby Dick) à vista, e também um de Conrad (Typhoon) a respeito do qual já escrevi um artigo (ainda sob exame da revista).

Agora me ocorre que talvez os gentis leitores deste blog queiram exatamente isso: ouvir que tudo segue nos conformes. Como já disse antes, o ofício de fazer livros é demorado, e no tamanho em que nos encontramos a produção é forçosamente menor e mais lenta. Mas falo por todo o soviete da L-Dopa que estamos encontrando o caminho e aos poucos as coisas vão se acertando. Aos poucos. De modos que nosso noticiário semanal pode parecer muito vagaroso se comparado ao frenesi incansável e cansativo logo ali ao alcance do controle remoto.

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2 Comments

  1. Melville! Que bela notícia! hehe.

    • Provavelmente “The Piazza Tales” (onde está o conto do Bartleby). Mas vamos vendo.


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