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fahrenheit451photos“Farenheit 451” – François Truffaut

Dentre as ficções distópicas do século XX uma das mais importantes certamente é “Farenheit 451” de Ray Bradbury, obra em que a película se baseia. A trama diz respeito a um futuro onde os livros são proibidos e o trabalho dos bombeiros é o de queimá-los. Um deles, Montag, irá acabar se interessando pelo que contêm. Com poucos efeitos, Truffaut recria o ambiente um tanto de fábula que o livro contém. Uma cena por exemplo: uma vizinha de “anti-sociais” que foram presos em meio a livros comenta com o bombeiro Montag que eles eram realmente diferentes. Aponta para os tetos das casas ao redor, cada qual com uma antena de televisão, e finalmente para a casa dos criminosos que não tinha nenhuma. Enfim: a memória é inimiga do conformismo.

lastchanceharvey_02“Tinha que ser você” – Joel Hopkins

Desde 1930 toda comédia romântica tem um momento que se convencionou chamar de beau geste, o belo gesto em que um dos heróis transcende o puramente cômico e faz algo mais ou menos nobre. No caso deste filme o fracassado Dustin Hoffmann, que conheceu seu par romântico igualmente fracassado Emma Thompson tem seu momento menos fracassado num discurso cabotino no casamento de sua filha. Morresse depois disso e teríamos um filme menos previsível, mas o final feliz virá. Seria consideravelmente fácil – e preciso me refrear um pouco – destruir o filme com duas ou três frases, mas como esse não é um espaço propriamente de crítica limito-me a constatar que mesmo a esperança pode ser falseada.

id_viagem_ao_principio_mundo_manoel_oliveira“Viagem ao princípio do mundo” – Manuel de Oliveira

Um ator francês, acompanhado de seu diretor e colegas atores, viaja por Portugal para conhecer a pequena vila de onde veio seu pai. O tempo todo falam os quatro viajantes, e o filme se enreda na conversa. Não há pressa alguma, o tempo não é inimigo da prosa, e a prosa por sua vez reverencia o tempo em paradas de prédios já abandonados, ou para mirar colégios de infância. No trajeto entre os pontos a câmera, na parte detrás do carro, registra o caminho que já foi percorrido, sem sabermos exatamente o destino. Não importa, no fundo o sabemos bem. No ponto alto do filme, quanto o ator conhece sua tia, que insistentemente pergunta por que ele não fala português, ele se aproxima e pede que ela segure seu braço – ela o reconhece como filho de seu irmão, a palavra se materializa.

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