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A CIDADE E O PASSEIO

É impossível passear sozinho. Que se diga nesse caso perambular ou vaguear, ou se não houver jeito, que se fale em percurso solitário, enfatizando o adjetivo. É praticado menos por tédio do que por gosto, salvo na melancolia quando as duas coisas se confundem, e não se restringe de forma alguma aos parques ou partes verdes da cidade.

Quem vagabundeia anda mais devagar do que quem perambula, o vadiar estando em algum lugar no meio. Não são exclusividade de esmolantes ou mendigos, indicando antes uma menor noção de rumo. Mas, sobretudo, não se confundem com as atividades esportivas nas vias públicas.

Onde há cidade, há centro. Assim, todas essas deambulações, termo que engloba todas essas práticas, são um esquecimento e uma reapropriação do centro, este que atrai, este que aproxima, este que arrebata.

Fingir, por esporte, que o centro não está ali onde está (que esteja em certo lugar é, até certo ponto, consenso) é o que faz da atividade de andarilhar algo sedutor, exatamente no sentido das idas e vindas com que o desejo circula o seu objeto sem jamais esgotá-lo. Um pouco à moda de um texto que não se fixasse num termo para seu tema – para melhor apreciar as palavras.

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