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Recentemente fui repreendido por um bom amigo pelos posts aqui na L-Dopa – eles seriam “abstratos demais”, herméticos, difíceis de entender. A crítica tem lá sua razão de ser. No meio das minhas atividades para a editora – entre uma tradução aqui, uma pesquisa lá e uma ficção no meio – sempre sobra algum “resíduo” um pouco estranho, que julgo por bem colocar no blog. Parando pra pensar, quem acessa o site há de ter uma visão um pouco estranha das nossas atividades, assim como alguém que observa uma fotografia pelo negativo. Não, a comparação não é de todo justa, mas não sei quantas comparações (justas ou não) são possíveis com a surrada oposição fotografia e negativo.

A dificuldade reside na própria forma do blog. É apenas parcialmente verdade que esse tipo de site é movido pelo seu conteúdo; e honestamente, essa divisão entre conteúdo e forma é sempre um pouco bobinha. Afinal, se buscarmos a raiz do termo, temos aqui uma espécie de diário (como são tantos hoje em dia), e isso coloca uma pergunta interessante – o que seria um diário de um coletivo, de um grupo, enfim, de algo que não simplesmente as peripécias individuais de Fulano ou Beltrano? (Não que isso não seja bacana, e aponta realmente para algo curioso no universo da escrita, agora sob a luz do “mundo virtual” ou como quer que queiram chamar.)

Talvez o mais sensato seja relatar os avanços das nossas atividades. Semana passada, por exemplo, ficou pronta uma versão de Marx in Soho de Howard Zinn, um monólogo teatral que está em processo de vir ao mundo. É cedo para dizer mais que isso, mas dito está o que está dito. A biografia de Emma Goldman – Vivendo minha vida – um catatau imenso de quase mil páginas também está sendo traduzido. A idéia é que fique pronto em 2010. Idéias, idéias.

Mais um projeto legal é o que estou chamando (na falta de nome melhor) de Antologia do Comunismo de Conselho. Isso surgiu com um livro português da década de 70, pela editora Centelha, que o Klaus conseguiu – Comunistas de Conselho. Os autores abordados nesse livro, não apenas em suas teorias mas conectando as idéias com suas vidas, são Anton Pannekoek, Erich Muhsam, Gustav Landauer, Karl Korsch e Otto Ruhle. São pouco conhecidos pelas nossas bandas, o que nada diz da inventividade e importância do que propõem. O que se pode formular por enquanto é uma breve antologia que traga uma descrição da vida de cada um desses com extratos de seus textos mais importantes. Talvez outros nomes possam entrar também. A (breve) biografia de Landauer já está pronta, agora falta pesquisar e traduzir os textos mais fundamentais. Há pouca coisa na internet. O que nos leva ao próximo ponto: a língua alemã, na qual se encontram tantas e tantas jóias.

O “mundo virtual” (já é a segunda vez que uso essa expressão capenga neste texto) oferece recursos para o estudante de línguas que não quer gastar dinheiro, que quer aprender uma língua mais esquisita ou simplesmente se aborrece com aulas em escolas. No caso do alemão, podemos começar com o método Pimsleur de áudio, que, ao que parece, foi desenvolvido para o serviço de inteligência estrangeira norte-americano. São muitas e muitas línguas. Albânes? Claro. Coreano? Também. E por aí vai. Bem, nem todas as línguas têm a mesma quantidade de horas de áudio. O alemão tem 45 horas. Outro método é o Rosetta Stone, que também disponibiliza várias línguas. É um método que usa imagens e frases, uma espécie de jogo da memória. Desconfio um pouco que o Rosetta faça poucas revisões, o que é fundamental. Mas enfim. Mais um outro método é o FSI, um curso da década de 60 do governo norte-americano – também traz várias línguas, do italiano ao romeno, passando pelo amharic e o kituba. Tem áudio e um bom livro de exercícios.

Tenho cá comigo que se atirar a traduzir um texto na língua estrangeira que não seja “preparado” para estudantes, também é uma prática a ser considerada. E neste how to learn any language há algumas discussões interessantes e boa motivação.

Bem, então aí está: comecei discutindo a própria natureza dos meus posts, cheguei na necessidade/dificuldade de comentar sobre nossas atividades na editora e por fim fui magnetizado até um tema que pode ter interesse a uns e outros, independentemente de se interessarem por Strindberg ou Malatesta. Talvez essa seja uma boa maneira de fazer posts: um pouco sobre nós, e um pouco para alguns.

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One Comment

  1. Olha cara, tava pesquisando e procurando algo sobre Muhsam e Landauer e achei este site, o projeto é bom, já li o livrinho sobre comunismo de conselhos e gostei da parte sobre estes dois autores e dos outros também.

    Sobre o Landauer, o Nildo Viana, sociólogo e autor de vários livros, me disse no email que tem um livro dele. Não sei o idioma, mas não deve ser alemão não. O email dele é nildoviana@terra.com.br

    bom projeto!!


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