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Meus sentimentos – A verdade é que nós não possuímos o nosso sofrimento, não temos nenhum direito de posse sobre ele. Sofremos, e esse sofrimento possui um sentido; e, aí também, esse sentido não está em nós. Se essa tese tem algo de religiosa, nem por isso o sofrimento passou a tolerar interpretações, como dizia Rilke. É preciso, sim, algum esforço humano que busque entender a dor, onde humano seja sempre algo falível. Uma interpretação total só é possível na morte, que não admite réplicas. Essa falta entre a palavra e o fechamento da dor na interpretação absoluta, não seria propriamente o espaço da ética? De silêncios em silêncios se vão nossa esperança e violência. E que procedimento é esse que tenta extrair da dor não sentido, mas sabedoria? Porque o silêncio mais doloroso é o da fala esvaziada de conteúdo, esvaziada num único movimento por sua posição de alienação frente à dor.

 

Boa adaptação emocional pré-mórbida  – O mais importante no que diz respeito à sensação paranóica é estar consciente dessa sensação. Ela sempre envolve um terceiro, alguém por trás do Outro; nota-se nos olhos das pessoas, nota-se nas palavras que, todas elas, carregam um sentido oculto. E ao mesmo tempo, não haveria também um lado positivo à paranóia? Algo se rompeu, algo foi traumatizado, e agora está voltando pelo real. Se retorna, é porque não foi propriamente enterrado. De fato, os ritos fúnebres permitem inscrever o “morto” na ordem simbólica – nós reconhecemos seu valor, nós nos lembraremos de você, agora descanse em paz. Assim, cumpre encontrar algum assento interno de onde ver essa “resposta do real” se desenvolver, como a estátua do Comendador que aceita o convite para jantar de Dom Giovanni. Estar consciente de uma aflição pode torná-la fonte de saber. Isso vale mesmo para ela, a louca de olhar de sangue.

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One Comment

  1. Paranóias à parte, hoje resolvi investigar se a L-dopa ainda existia e vim parar aqui no seu texto… Pode ser tudo apenas uma grande conspiração do universo… Agora, quanto aos outros “seus sentimentos”, já diria o Platão que filosofar é aprender a morrer… mas exatamente este é o “procedimento” de um erro, que sempre gera sentido, não tem jeito… sua estória, é a estória de um otimismo lógico, que tenta evitar seu malfadado destino trágico matando todo o resto do mundo submetendo-o a intensa massificação de sua “sabedoria”.
    Um forte abraço…


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