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Este mês lembram-se os 35 anos da Revolução dos Cravos, em Portugal. A senha que detonou o levante foi a música Grândola, Vila Morena, que pode-se ouvir neste vídeo aqui:

A música recebeu diversas versões, inclusive uma punk da banda paulista 365 na década de 80. Quem quiser fazer sua versão pode ter certeza que será hospedada neste site. E para quem quiser estudar o assunto a nossa dica é um texto de Phil Mailer, do grupo Solidarity que você pode ler, em inglês, aqui. A introdução ao livro é de… Maurice Brinton.

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7 Comments

  1. Grande amigo meu, Nils;

    Portugal, mais especificamente Lisboa, foi um marco em minha vida. Amei aquela terra como poucas. E sinto saudades doloridas porém belas até hoje.
    Tenho uma história para contar a respeito desta música.
    Quando vim embora, por motivos de força maior (minha companheira naquele momento estava doente), chorei como criança ao decolar do aeroporto da Portela. Às sete horas de uma manhã triste porém azul-ensolarada como Lisboa costuma pintar, prometi para mim mesmo que pisaria de volta naquela terra em no máximo 365 dias.
    Após muita luta interno-mauricística, voltei a pisar sobre o chão de Lisboa 361 dias depois. Só para relembrar, devolvi todas aquelas lágrimas deixadas na ocasião, mas agora eram deslágrimas, porque não eram salgadas, mas doces. Desci em grande estilo: terno gelo risca-de-giz, chapéu panamá, e charuto fitzcarraldiano no canto da boca e um cravo na lapela; era a minha revolução(creio que nem me questionaram na imigração por pensarem ser eu um artista extravagante pensando ser Gardel).
    Já havia alugado uma casa em Cascais, região da grande Lisboa, no encontro do Atlântico com o Tejo. Fui direto para lá. Durante o trajeto, assobiava Grândola Vila Morena, que havia gravado em um cd que costumava escutar muito enquanto distante daquela terra amada, terra amante. Finalmente estava em casa. A minha casa, que levo comigo para todos os lugares do mundo.
    Acordei cedo na manhã seguinte, para caminhar descalço sobre as areias geladas de Cascais. Eu carregava o cravo que trouxera comigo, para deitá-lo ao mar. Ao chegar à praia, um gari varria bitucas.
    O homem assobiava Grândola Vila Morena.
    Nunca me esqueci daquele gari.
    Seu assobio ecoa até hoje em minha alma. Como se fosse uma frase, perguntando se deus existe. E o diabo?

    Abraços,

    Maurice Grande Ola Vi na Morena

    • Muito legal seu comentário, Maurício – uma história e tanto.

      Os portugueses contemporâneos falam desse episódio da Revolução dos Cravos? Você chegou a ter contato com como eles encaram o assunto?

      Abraços,
      n.

  2. Grande Nils,

    Os portugueses contemporâneos têm o 25 de abril como uma das maiores datas da história do país. Relembram-na através de diversas manifestações espalhadas por todo o país. No entanto, o que mais me chamou a atenção foi uma entrevista que vi um dia com crianças em diversas escolas espalhadas pelo país. A reporter perguntava se elas sabiam alguma coisa sobre a Revolução dos Cravos, se elas faziam idéia do que tinha significado aquele episódio. As crianças tinham em torno de 10 anos de idade, porém, diferentemente de nossas crianças com relação à nossa história, elas não só sabiam o que era o episódio, mas relatavam com verdadeira emoção os pormenores da deflagração. Deixando a ingenuidade de lado, via-se perfeitamente que não se tratava de uma encenação forjada pelos professores. As crianças realmente tinham conhecimento sobre aquilo, prova de que seus pais, tendo vivido aquela época, repassaram oralmente para eles aquele fato da história portuguesa. Tive a prova disso pessoalmente ao ouvir crianças que voltavam da escola em um ônibus conversando com um senhor sobre o episódio. Pergunto-me o que uma criança brasileira de dez anos saberia falar sobre as Diretas Já!, episódio muito mais recente de nossa história. Os brasileiros dizem que Portugal é o Paraguai da Europa. E nós? Somos o que de onde?

    Para alguns detalhes sobre o combate da época nefasta de Salazar, sugiro que dê uma olhada no endereço abaixo. Achei tão interessante que já pensei em escrever um livro sobre o assunto.
    Para maiores detalhes, digite Palma Inácio no Google.

    Grande abraço,

    Maurice

  3. A letra de Zeca afonso é a q mais toca meu coração, a maneira de falar da cidade é espetacular.

    Tem a letra do chico tbm, “tanto amar”, que fala do tema.

  4. salve, Nils. tudo bem?

    foi por meio de Grândola, Vila Morena q conheci outro músico português, José Mario Branco. ele adaptou Camões em “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. vale a pena procurar na net e baixar.

    precisamos conversar, oportunamente.

    abraço

    g.s.

  5. Olá Nils,
    Me chamo Renato Pinto, sou professor universitário e também de crianças, filho de português com um brasileira.(Meu pai é da região da Serra da Estrela, Vila de Loriga próximo a Seia).
    Recordo da minha infância que de vez em quando meu pai sempre me contava histórias e “causos” de Portugal, mas particularmente sempre me interessei pela da Revolução dos Cravos coincidentemente minha irmã quase nasce neste dia 25 por pouco ela nasceu já dia 26/04.
    E ele sempre cantava essa musica para nós.
    Hoje tive a grata surpresa de encontrar seu blog e ver o video da minha musica de Ninar “Grândola, Vila morena” de Zeca Afonso.
    Realmente a música e muito bela e o video também.
    Deixo aqui minha emoção ao rever estes depoimentos e ficar muito feliz com crianças que conhecem sua história.
    Quem dera que todas crianças soubessem mais da história brasileira.
    Ela também tem fatos lindos, maracantes e emocionantes

    Abraços

    25 de abril
    sempre livre

    Renato Pinto

    PS. ah meu contato é
    renatolpinto@hotmail.com


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