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Este texto foi traduzido por Carolina Dargel para a Agência de Notícias Anarquistas (ANA).

Teatro: Emma Goldman, entra em cena uma rebelde

Ramón Barea estréia “Emma” no Teatro Arriaga, uma obra sobre a vida da “mulher mais perigosa da América”.

“Requer menos esforço intelectual o condenar do que o pensar”. Esta frase de Emma Goldman retrata a perfeição do seu caráter. Uma mulher ativista que estava a frente do seu tempo e lutou pelos direitos das mulheres e dos trabalhadores desde o final do século XIX e início do século XX. Revolucionária, feminista. Sua luta englobava todas as frentes. Posicionava-se contra a guerra ao mesmo tempo em que defendia o amor livre. Uma experiência vital e apaixonante que o diretor bilbaíno (Natural de Bilbao) Ramón Barea revisa na obra “Emma, la mujer más peligrosa de América” (“Emma, a mulher mais perigosa da América”), uma das cinco produções próprias que o Teatro Arriaga preparou para esta temporada e que estréia hoje,  sexta-feira, 13 de março.

A vida desta anarquista foi descoberta em um livro pelo historiador e ensaísta estadunidense Howard Zinn, que opina “que o poder se enerva quando se consegue a cumplicidade e o sorriso do espectador”, explicou Barea. Com “Emma”, Zinn quis recuperar a figura de uma mulher que acabou expulsa dos Estados Unidos e viveu exilada na Europa e no Canadá por expressar em voz alta seus pensamentos e defendê-los radicalmente.

Elementos de época

Emma Goldman

Emma Goldman

Esta história gerou grande repercussão e fez sucesso em algumas das cidades mais importantes do mundo. Mas pela primeira vez se faz uma versão em castelhano pelas mãos de do diretor Barea, o Arriaga bilbaíno e Toni Acosta, que interpreta a apaixonada Emma Goldman. Junto dela, atores muito conhecidos pelo público basco como Karra Elejalde, Gurutze Beitia e Itor Mazo, que se revezam entre vários personagens nas 20 cenas que compõem a obra.

A cenografa, a cargo de José Ibarrola, só inclui um elemento de modernidade: um espaço industrial. “O vestuário é de época. Foram mantidos até os espartilhos. Isso tudo é complementado com exposições de cinema mudo e documentários da época. Isso quer dizer que não se fazem referências à atualidade. Ainda que seja verdade que muitas lutas e guerras se parecem as de hoje”, analisa o diretor bilbaíno.

Nesta produção não se fala de uma heroína, mas sim de um ser humano que lutava por seus ideais, mas atrás dos quais se escondiam muitas contradições. Emma Goldman, judia nascida na Lituânia, emigrou para Nova York com 16 anos em busca de um mundo mais livre, mas encontrou um processo de industrialização selvagem. Viveu o fuzilamento dos anarquistas e presenciou com alegria a revolução russa, que depois criticou quando virou-se para a burguesia.

A peça mostra o ativismo político e a personalidade de Goldman desde a sua adolescência até os seus 40 anos. A obra termina quando a expulsam dos Estados Unidos ao que o fundador do FBI, “J. Edgar Hoover”, classifica-a como “a mulher mais perigosa da América” quando a investigava.

“É uma peça de teatro político da perspectiva mais humana e contraditória. Foi pensada para que o público se posicione. Se dirige à inteligência do expectador”, adiantou Barea. Goldman foi considerada um inimigo público durante mais de trinta anos por utilizar uma arma perigosa, que está à mão de todo ser humano: a razão.

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