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O Rodrigo colocou um post interessante em seu blog que pode ser descrito, de alguma forma, como uma analítica dos instrumentos.

Pode-se dizer que é numa totalidade do instrumento que o instrumento é o que é. Dessa forma, Heidegger pôde dizer que todo instrumento é “algo para…” Então, o que significa dizer que há um sujeito e um objeto? Alguém vê uma xícara e está perante um “objeto”, ou no usar a xícara “entra” na sua instrumentalidade?

Existe, de uma forma ou de outra, um olhar “de fora” que estranha o que o instrumento é, portanto só se desentranha a manualidade do instrumento quando ele se revela por si mesmo. “O próprio martelar é que descobre o ‘manuseio’ específico do martelo.”[i] Por mais que se “contemple teoricamente” algo, faltará a compreensão da manualidade.

O computador é um instrumento peculiar nos tempos atuais. Não é o que ele diz colocado no tempo, mas antes o que diz o tempo cristalizado nele. Cada computador diz do ápice de uma montanha que não se sabe bem qual é, talvez uma montanha que reúne toda a espacialidade numa tela – “o mundo na palma de suas mãos”. É possível supor que para as pessoas, ao menos cada vez mais, passar um longo tempo sem o acesso ao computador corresponderia a um fora-de-casa.

Como no relato do videocassete cujas potencialidades não eram todas usadas, a circunvisão delimita o manual. Uma visão “transparente” reintegra o instrumento, e o único fluir-em-outra-direção que existe no mundo é quando a pre-sença escolhe a sua tradição. Mas de que lugar é possível fazer essa escolha?


[i] HEIDEGGER, Martin – Ser e Tempo. Parte I, p. 111.

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2 Comments

  1. Pois é… A relação com os computadores é diferente daquela que se tem com um canivete multifuncional do qual se conhece apenas o abridor de latas e uma faquinha. É mais como essa imagem da montanha ou de um mundo numa tela. Talvez seja como morar em um bairro desconhecendo a maior parte dos caminhos, ignorando as árvores e não utilizando a maior parte do que se observa. Mas esta não é uma descrição nossa em nossos bairros?

    E qual montanha se conhece em toda sua instrumentalidade? Talvez a totalidade do instrumento a qual você se refere seja de outro modo. Não é a totalidade do conhecimento predicativo, até porque o modo de ser que utiliza o instrumento é pre-temático. É mais como uma totalidade em que não há de fato um sujeito e um objeto. O martelo desaparece enquanto martelo. Ele não é um martelo conhecido em todas as suas propriedades.

    De algum modo, o computador também não desaparece enquanto computador? Como você disse, ele se transforma cada vez mais em lar. E caminhamos pelo lar sem considerá-lo, como descreve Merleau-Ponty na sua Fenomenologia da Percepção.

    Mas acho que nenhum dos dois pensou o computador.

    Ah e você tem que me explicar o que é Pingback.

  2. Pingback é quando Fulano coloca um post em seu blog e Beltrano faz um link para esse post num post próprio em seu blog. Como agora aqui em “Forno à Lenha” havia um link para seu post “Conhecendo a Máquina de Escrever”, apareceu lá a informação sobre meu post.
    Leio em algum lugar que isso pode gerar spam… Alguém pode esclarecer essas coisas?


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