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Um blog pareceu apropriado às atividades da L-Dopa, por diversas razões, de modo que aqui está seu lançamento. A proposta é atualizá-lo toda quinta-feira.

Em trecho bastante feliz, Antonin Artaud se sai com esta: “Pode-se queimar a biblioteca de Alexandria. Acima e além dos papiros há forças: podemos ser privados temporariamente de reencontrar essas forças, mas não se suprime sua energia.”[1] Essa é uma maneira de se entender o propósito de escrever e pôr isso no mundo. Mas o inverso coloca igualmente a máquina para funcionar, isto é, pôr o mundo na escrita. No caso privilegiado da reflexão política, o registro escrito – sem o qual talvez seja impossível conceber a história – é certamente um poder transformador. Isso não se dá em linha reta, naturalmente, mas em “ziguezague”, para usar uma tópica de Howard Zinn, primeiro autor editado pela L-Dopa.

A política e a literatura se colocam, portanto, como os dois eixos de atuação da editora.

Quanto à política, o modo de proceder parece ser o de verificar as mudanças significativas – que geralmente são as mais imperceptíveis – e refletir essa mudança, cristalizada, no livro. É o registro escrito que traz a história à luz do sol. Como Zinn já foi mencionado, pode muito bem ser citado, quando afirma que “o que nós escolhemos enfatizar nesta história complexa irá determinar nossas vidas.”[2] De tal maneira, um editor de política é alguém que produz óculos para miopia, consolando-se de que não há cura para daltonismo.

E quanto à literatura? Para uns, ela deve conduzir à reflexão social, e em suas práticas promovem uma mensagem explicitamente crítica; para outros, a literatura deve possuir apelo popular, e em suas práticas buscam o contato com o público; para outros ainda, a literatura deve ser entendido num sentido puramente estético, e em suas práticas buscam a realização artística; para mais outros, a literatura deve avançar experimentalmente, e em suas práticas buscam a concretização de um ideal vanguardista. Nessa disputa está em questão o próprio conteúdo positivo do significante “literatura”. Como observa o filósofo Slavoj Zizek, a emergência do “sujeito” é estritamente correlativa ao posicionamento desse significante central como sendo “vazio”. Alguém se torna um “sujeito” quando o significante universal a que se refere, no caso a literatura, não está enraizado num conteúdo específico, mas é percebido como um espaço vazio a ser preenchido por um conteúdo em particular. “Este significante ‘vazio’ cujo conteúdo positivo está em ‘jogo’ na luta político-ideológica ‘representa o sujeito para os outros significantes’, para os significantes que representam seu conteúdo positivo.”[3]

Por esses dois eixos, a literatura e a política, passa o “significante L-Dopa”.

Como já foi dito, a idéia deste blog é que ele seja atualizado ao menos toda quinta-feira. Até lá então.


[1] ARTAUD, Antonin. Le théâtre et son double. Paris: Gallimard, 1999. p. 15.

[2] ZINN, Howard – Você não pode ser neutron num trem em movimento. Curitiba: L-Dopa, 2005. p. 262.

[3] ZIZEK, Slavoj – The Indivisible Remainder. London/New York: Verso, 2007. p. 131.

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